senior woman 90 years old being fed by a nurse 04.fev.2015

Deficiência proteica no paciente idoso: como faço?

 

O risco de desnutrição na população idosa é aumentado devido à redução da massa magra e da força na musculatura – conhecida como sarcopenia – decorrente da idade avançada e outros fatores que influenciam a ingestão de nutrientes. Uma ingestão adequada de energia, proteínas e micronutrientes devem ser garantidas em pacientes nesta fase da vida, independente do seu estado nutricional. Como a recuperação de massa é mais difícil do que nos jovens, um suporte nutricional preventivo deve ser considerado. Além disso, a obesidade sarcopênica está relacionada a indivíduos obesos com a insuficiência e inadequação de massa muscular, e é um problema de saúde em amplo crescimento, principalmente na população idosa.

Alguns estudos tem demonstrado uma associação positiva entre a ingestão diária de proteínas e a massa magra. A maioria das evidências epidemiológicas para esta associação vem de estudos que demonstraram que uma baixa ingestão diária de proteínas foi significantemente associada com a perda de massa muscular. Ainda, existem estudos que associam ingestão de 1 a 1,3g de proteína por quilo de peso por dia à redução de 40% na perda da massa muscular em comparação com ingestão de 0,8g.

Idosos requerem não somente uma quantidade diária otimizada de proteínas, mas uma distribuição uniforme em cada refeição. Foi descrito que uma ingestão proteica de 30g em cada refeição estimula a maior taxa de síntese proteica em adultos jovens e idosos. Desta forma, foi sugerida que a ingestão de 25 a 30g de proteínas de alto valor biológico (de origem animal como carnes e leite) em cada refeição possa ser uma estratégia benéfica em termos de aumento da síntese proteica e conservação da massa muscular em adultos.

O uso de suplementação nutricional oral é recomendado para aumentar a oferta energética, proteica e de micronutrientes, e aumentar a sobrevivência de paciente desnutridos ou em risco de desnutrição. Estudos analisaram o efeito do uso de suplementação oral em pacientes idosos que manifestaram desnutrição ou risco para desnutrição, mostrando que houve aumento na ingestão calórica e de nutrientes, manutenção ou melhora do estado nutricional e redução do risco de mortalidade, sendo seu uso amplamente recomendado. Também é recomendado iniciar o suporte nutricional não somente quando há manifestação de desnutrição, mas o quanto antes houver fatores indicando risco nutricional e enquanto for fisicamente possível. Diversos estudos sugerem a necessidade de implementação de terapêuticas dietéticas e estratégias nutricionais objetivando a melhora no consumo de proteína para atingir as quantidades necessárias para prevenção da sarcopenia em populações idosas. Assim, seguem algumas formas em que a suplementação com proteína pode auxiliar a reverter quadros de desnutrição no idoso, melhorando a qualidade de vida:

Úlceras por pressão

A suplementação nutricional oral, especificamente rica em proteínas, pode reduzir o risco de desenvolvimento de úlceras por pressão, comum à população idosa. Uma meta-análise mostrou que a suplementação nutricional oral foi associada com queda na incidência de desenvolvimento de úlceras por pressão em pacientes com risco para tal, quando comparado com os cuidados rotineiros. Ainda, outros estudos mostraram melhora das úlceras por pressão pré-existentes, em pacientes que receberam suplementação. A experiência clínica sugere que a recuperação das úlceras por pressão em pacientes idosos possa ser melhorada com o uso de suplem          entos hiperproteicos.

Quedas e fraturas

Em pacientes geriátricos após fratura de quadril ou cirurgias ortopédicas, recomenda-se o uso de suplementação, para reduzir o risco de complicações. Efeitos positivos da suplementação hiperproteica na densidade óssea e no metabolismo ósseo foram descritos, mostrando queda significante da perda da densidade mineral óssea, inclusive em curto período (<40 dias). Além disso, a maior disponibilidade de proteína pela suplementação foi associada com o aumento de mediadores importantes para o metabolismo ósseo.

Pós-operatório

Estudos mostraram que a taxa de complicações pós-operatórias em pacientes suplementados com proteína foi significantemente menor durante a estadia hospitalar e em até sete meses após, comparados com o grupo controle, que utilizou apenas suplementação normocalórica. Também foi visto que o risco de mortalidade e as chances de complicações, com pior prognóstico, foram reduzidos em pacientes suplementados.

Mas qual suplemento proteico pode ser melhor indicado?

Evidencias epidemiológicas suportadas por estudos experimentais verificaram que o consumo de laticínios é associado à queda na prevalência de desordens metabólicas, mostrando que a proteína do soro do leite reduz a prevalência de riscos metabólicos individuais como hipertensão, dislipidemias e hiperglicemia leve. As proteínas do soro do leite apresentam um excelente perfil de aminoácidos, caracterizando-as como proteínas de alto valor biológico. Possuem peptídeos bioativos do soro, que conferem a essas proteínas diferentes propriedades funcionais.

A proteína do soro do leite tem efeito positivo no controle da glicose pós prandial (nível de açúcar no sangue, uma a duas horas depois das refeições), no metabolismo de lipídeos e de proteínas, e pode prevenir o declínio metabólico. Ainda, exerce papel importante no controle da pressão sanguínea e como agente redutor do risco cardíaco.

Os aminoácidos essenciais, com destaque para os de cadeia ramificada, presentes em altos níveis na proteína do leite, favorecem a síntese proteica muscular, a massa muscular magra e a função metabólica do músculo esquelético. Melhoram, também, o desempenho muscular, por elevarem as concentrações de glutationa, diminuindo, assim, a ação dos agentes oxidantes nos músculos esqueléticos. Também há evidências que a proteína do leite pode indiretamente melhorar a qualidade da saúde por promover mudanças na composição corporal em favor do aumento da massa corporal magra e diminuição da adiposidade.

Assim, a utilização da proteína de soro do leite na rotina alimentar de pacientes idosos, como forma de suplementação, objetivando a recuperação nutricional, é plenamente indicada. Os módulos isolados da proteína do soro do leite (conhecidos também como suplementos em pó) tem ampla versatilidade de utilização, pois, como existem versões isentas de sabor, eles podem ser acrescentados em refeições doces ou salgadas, não interferindo na palatabilidade dos alimentos ofertados. Também, possibilitam o fracionamento entre várias refeições ao dia, adequando à quantidade proteica ofertada à quantidade diária necessária para cada paciente.

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Fontes:

  • ESPEN Guidelines on Enteral Nutrition: Geriatrics. Clinical Nutrition (2006) 25, 330–360
  • Valenzuela R, et.al. Insufficient amounts and inadequate distribution of dietary protein intake in apparently healthy older adults in a developing country: implications for dietary strategies to prevent sarcopenia. Clinical Intervetions in Anging (2013) 8, 1143-1148
  • McGregor RA and Poppitt SD. Milk protein for improved metabolic health: a review of the evidence Nutrition & Metabolism (2013) 10, 46-59