Fresubin_Hepa_500ml 13.jul.2015

Como adequar a terapia nutricional nas hepatopatias?

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A doença hepática crônica (DHC) é uma reação inflamatória do fígado, de etiologia e severidade variável, com evolução progressiva caracterizada pela presença de fibrose e alteração da estrutura hepática normal. É um problema de saúde pública, e uma das principais causas de morbidade e mortalidade mundiais.

Os portadores de DHC apresentam sinais e sintomas com impacto na qualidade de vida. Na fase inicial compensada, a doença pode apresentar-se assintomática ou aparecer sintomas inespecíficos e facilmente confundíveis com outras doenças, tais como: fadiga, falta de apetite, febre, mal-estar, etc. Conforme a doença evolui, a insuficiência hepática e hipertensão portal podem ocorrer, incluindo ascite, hemorragia das veias gástricas e esofágicas, e encefalopatia hepática; sendo essas complicações as principais causas de atendimentos médicos de urgência e emergência.

Nas hepatopatias crônicas, os metabolismos de vários sistemas ficam defasados como glicogenólise, sintetização de lipídeos, produção de carnitina, albumina, protombina, a ceruloplasmina, a transferrina e a proteína ligadora de retinol. Muitas vitaminas também tem o seu metabolismo comprometido como Vitamina A, D e K. As deficiências de micronutrientes ocorrem, com frequência, em pacientes com doença hepática alcoólica ou em alcoolistas sem evidências de doença hepática, estando, neste caso, relacionadas ao consumo do álcool. Como consequência destas deficiências, esses pacientes apresentam, usualmente, anemia, esteatose hepática, estresse oxidativo e imunossupressão.

Como parte de uma avalição nutricional de pacientes hepatopatas, podemos citar: peso, altura, índice de massa magra, dobras cutâneas, circunferências e área muscular do braço. Ainda não há um “padrão ouro” para avaliar esses pacientes, mas há evidências que a bioimpedância multicompartimental aumentou a prevalência do diagnóstico de desnutrição em relação a outros diagnósticos.

A terapia nutricional é bastante recomendada para esses pacientes, pois reduz o risco de complicações futuras como encefalopatia hepática, infecções, risco de mortalidade pós-operatória, além de melhorar a função hepática e manter ou recuperar o peso adequado. O fornecimento de dieta normoproteica está associado a um efeito benéfico na redução do catabolismo proteico, quando comparadas a dietas restritas. Estudos mostraram que valores inadequados de proteínas para pacientes com encefalopatia hepática, podem contribuir para perda de peso devido à proteólise intensa de proteínas viscerais e musculares. Recomenda-se a seleção e distribuição equitativa da fonte da proteína que será ofertada para esses pacientes. Ou seja, reduzir em grande quantidade a proteína para esses pacientes não traz benefícios, especialmente em pacientes cirróticos, durante episódio de encefalopatia.

A amônia é uma toxina cerebral direta e é considerada fator etiológico importante no desenvolvimento de encefalopatia hepática pois, quando o fígado falha, ele torna-se incapaz de detoxificar a amônia em ureia, prejudicando o ciclo normal da ureia. A arginina é um aminoácido que faz parte na síntese de diversas moléculas, dentre elas, a ornitina, que também está associada ao ciclo da ureia. O acúmulo de arginina vai provocar um aumento da concentração de N-acetilglutamato que irá, então, estimular a carbamoilfosfato sintetase e essa enzima vai fornecer um dos substratos do ciclo da ureia. Assim, a arginina vai adequar a velocidade de formação de amônia à sua conversão em ureia.

Suplementos e dietas que contenham quantidades equilibradas de arginina, auxiliam no processo de detoxificação da amônia Estudos mostraram que a suplementação de arginina preveniu os efeitos tóxicos e mortais da administração de amônia em ratos. Também mostraram que seres humanos que sofriam de algumas formas sérias de doenças do fígado também foram tratados com arginina, com resultados excelentes.

Na doença hepática, ocorre um desequilíbrio plasmático de aminoácidos onde há diminuição dos aminoácidos de cadeia ramificada (AACR) e aumento dos aminoácidos aromáticos (AAA), que causam limitação cerebral dos AACR, contribuindo para o desenvolvimento da encefalopatia hepática.

O guideline europeu de nutrição enteral e parenteral (ESPEN) relata que pacientes com esteatose hepática alcoólica e com cirrose podem se beneficiar de uma dieta suplementada com AACR, podendo reduzir os quadros de encefalopatia hepática e retardar o processo de falência hepática e prolongando sobrevida, respectivamente, sendo estas recomendações graus A e B de evidência científica.

Em casos de carcinoma hepatocelular (CHC), a oferta perioperatória de dieta suplementada com AACR reduz a morbidade associada as complicações pós-operatórias e estadia hospitalar, após a ressecção hepática. Ainda, a suplementação nutricional oral com AACR em pacientes submetidos à quimioembolização para CHC avançado é benéfica, aumentando o nível de albumina plasmática, reduzindo a morbidade e melhora a qualidade de vida desta população.

 

REFERÊNCIAS

 

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Andrezza

Nutª Andrezza Hretciuk

Nutricionista Clínica e Esportiva

CRN 8 -7459

Pós-graduada em Nutrição e Metabolismo na prática clínica e desportiva pela UNINGÁ.

Pós-graduada em Nutrição e Esporte pelo CESUMAR.